APRENDENDO A ORAR

INTRODUÇÃO (Tiago 1.5-8; 5.14-15)

Orar é falar com Deus, louvando, agradecendo, pedindo, suplicando, intercedendo, com a alma voltada para o Onipotente. A oração, assim, é um meio maravilhoso de chegarmos à presen­ça do Senhor, de adentrarmos ao tro­no da graça, "com confiança, a fim de sermos atendidos em tempo opor­tuno". A perseverança na oração é indispensável para demonstrarmos nossa confiança e dependência de Deus.
I. DOIS TIPOS DE ORAÇÃO
1.   Oração convencional. É a oração feita pelo crente, na qual ele expressa seus sentimentos diante de Deus, sem um propósito de obter algo que dependa do exercício ime­diato da fé, como, por exemplo, a cura de um enfermo, a operação de maravilhas, sinais e prodígios, a ex­pulsão de demônios, etc. É a oração que fazemos ao deitar, ao levantar, agradecendo pelo pão de cada dia, pela família, pela igreja, pelo empre­go, etc. Se não tivermos cuidado, essa oração pode tomar-se rotineira, repetitiva, sem graça.
2.   Oração da fé. É a oração pela qual se busca a obtenção imediata ou mediata de uma bênção para si ou para outrem. Normalmente, quando se fala em "oração da fé", tem-se em mente a necessidade de um milagre de cura, libertação, vitória sobre pro­blemas que desafiam a fé. Tiago  orienta que, se alguém estiver doente, os presbíteros da igreja devem ser chamados, a fim de orarem pelo en­fermo, ungindo-o, em nome do Se­nhor, "e a oração da fé salvará o do­ente..." (v.14,15a).

II. CARACTERÍSTICAS DA ORAÇÃO PERSEVERANTE
Perseverar quer dizer "conservar-se firme e constante; persistir, pros­seguir, continuar" (Dicionário Auré­lio). A oração perseverante tem es­ses significados.

1.  É feita com fé (v.5,6a).Tiago, exorta que, se alguém tem falta de sabedoria, deve pedi-la a Deus; pedindo, "porém, com fé, não duvidando". Quem duvida é compa­rado pelo apóstolo como a "onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte"(v.6b), A dúvida é a inimiga núme­ro um da fé, A fé é a confiança ina­balável em Deus, sendo "o firme funda- mento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11.J). Só persevera na oração quem tem fé. Quem não ora com fé é candidato a não receber nada da parte de Deus (v.7).

2.  É paciente. A impaciência é o maior inimigo da oração perseve­rante. Nos dias apressados em que vivemos, são poucos os que se dedi­cam à oração perseverante. Hoje, em geral, as coisas têm a marca da pres­sa. A comida, por exemplo, é "fastfood" (alimentação rápida, em in­glês). A maioria dos crentes gosta mais da oração rápida, "instantânea". A oração perseverante desafia  a pa­ciência do orante. Exige tempo, cui­dado, interesse em estar na presença de Deus. A Bíblia diz: "Não te apres­ses em sair da presença dele..." (Ec 8.3a). Jesus ensinou a parábola do juiz iníquo (Lc 18.1-8), na qual  res­salta o valor da persistência na oração (v.7). Em Mt 7.7, lemos "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á".

3.   Leva em conta a vontade de Deus. Na oração perseverante, o crente espera, confiando na vontade de Deus para o que Lhe pede. Na oração-modelo, Jesus ensinou: "Ve­nha o teu Reino. Seja feita a tua von­tade, tanto na terra como no céu" (Mt 6.10). Ele orou, no Getsêmane, três vezes, submisso à vontade do Pai: "...não seja como eu quero, mas como tu queres" (Mt 26.39); "Meu pai, se este cálice não pode passar de mim sem que eu o beber, faça-se a tua vontade" (Mt 26.42); na terceira vez, disse "as mesmas palavras" (Mt 26.44). O chamado Movimento da Fé ensina que nunca se deve dizer "se for da tua vontade...". Isso é fal­sa doutrina. Submeter-se à vontade de Deus é sinal de humildade ante a soberania do Senhor. Há quem pre­gue que só se deve orar uma vez por um problema, dizendo que repetir a oração é falta de fé. Não entendemos assim, pois a Bíblia manda orar sem cessar (l Ts 5.17); perseverar na ora­ção (Cl 4.2). Homens e mulheres de oração passam, em média, pelo me­nos, uma hora de oração por dia.
III. ORAÇÃO PERSEVERANTE OU CONFISSÃO POSITIVA? 

1. A confissão positiva. Segun­do Hank Hanegraaf no livro Cristi­anismo em Crise, (CPAD),     confissão positiva é um dos elementos bá­sicos do Movimento da Fé. Um dos seus arautos modernos  diz que recebeu diretamente de Jesus a "Fórmu­la da Fé", que se constitui de quatro pontos: 1) Diga a coisa; 2) Faça a coisa; 3) Receba a coisa e 4) Conte a coisa. A confissão positiva é o pri­meiro ponto.

a) Tudo depende do indivíduo - Segundo essa doutrina, "positiva ou negativamente tudo depende do in­divíduo. De acordo com o que o in­divíduo disser é que ele receberá". A vontade de Deus fica dei­xada de lado. Para os que seguem essa doutrina, não se deve orar, di­zendo "seja feita a tua vontade...". Basta "decretar" que algo aconteça e deve acontecer! Tais ensinos têm levado muitos ao desespero. Certos crentes têm dito a enfermos que "de­cretem" sua cura e, depois, os doen­tes morrem; outros, "determinam" que devem ficar ricos, e isso não acontece. Cremos que Deus é Deus de bênçãos, mas Sua vontade é so­berana, e Ele não pode ficar depen­dente da palavra positiva ou negati­va de ninguém.

b) Não sabemos orar - A confis­são positiva cai por terra, diante da afirmação da Bíblia em Rm 8.26, que diz: "porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis". Ora, se não sabemos sequer pedir como convém, quanto mais "decre­tar" alguma coisa de que precisamos.
    c)Confissão negativa - O fato de não aceitarmos a confissão positiva, na maneira em que ela é formulada, não deve nos levar ao caminho da confissão negativa, pessimista, em que o crente, lamuriando, diz: "Não posso, estou fraco, não sou nin­guém". A Bíblia nos ensina: "Posso todas as coisas naquele que me for­talece" (Fp 4.13). Note-se que tudo podemos "naquele" que nos fortale­ce e não em nossas declarações.


2. A oração perseverante. Na oração perseverante, o crente colo­ca-se na dependência da vontade de Deus, com paciência.

a)  Não é obstinação  - De acor­do com a Bíblia, nenhum homem deve achar-se no direito de recebera resposta de Deus aos seus pedi­dos ou "decretos". Moisés, o gran­de líder do êxodo, rogou a Deus que o deixasse entrar na terra pro­metida, mas o Senhor lhe disse:"Basta; não me fales mais neste negócio" (Dt 3.26). E ele não in­sistiu mais. Paulo orou a Deus três vezes sobre o "espinho na carne" e o Senhor lhe respondeu: "A mi­nha graça te basta porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Co 12.8,9).

b)  Nada tem a ver com pensa­mento positivo -A oração perseve­rante fundamenta-se na fé em Deus e na Sua vontade soberana. João,em sua primeira epístola, diz: "E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, se­gundo a sua vontade, ele nos ouve"(l Jo 5.14). O apóstolo do amor doutrina sobre a eficácia da oração, enfatizando que Deus nos ouve "em tudo o que pedimos", de modo que alcançamos as petições "que lhe fizemos" (l Jo 5.14,15). Se iso­lar mos o último versículo, caire­mos na confissão positiva. Mas, li­gando-o com o anterior, veremos que a expressão-chave é "segundo a sua vontade". O pensamento po­sitivo coloca a fé na fé; a fé nas palavras. Estas passam a ter um valor absoluto, independente da vontade de Deus. Oração perseve­rante baseia-se na fé, na paciência e na vontade de Deus.

c) É oração contínua - Um exem­plo claro, na Bíblia, de oração per­severante, é a que a igreja fez por Pedro, quando ele fora preso por Herodes (At 12.5). Os irmãos ora­ram de modo contínuo, dia após dia. Ao ser liberto pelo anjo de Deus, Pedro dirigiu-se à casa de Maria, ain­da de madrugada, onde "muitos es­tavam reunidos e oravam"(At 12.12). Se fossem adeptos desses ensinos modernistas, só teriam ora­do uma vez e ido dormir.
CONCLUSÃO
A perseverança na oração é es­sencial para que o crente receba as bênçãos da parte de Deus. O salmista disse: "Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim"(Sl 40.1). Tendo sido grandemente abençoado, ele passou a louvar a Deus. Assim, devemos confiar no Senhor, no Seu poder, no Seu amor, e, também, na Sua soberania.

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